18 a 20 de outubro de 2010
Johannesburgo, África do Sul
O Centro de Informação Alternativa e Desenvolvimento (AIDC) – baseado na Cidade do Cabo, juntamente com o Diálogo dos Povos – que reúne organizações Latino-Americanas e Africanas, foram as anfitriãs da Conferência “Crise da civilização”, realizada entre os dias 18 e 20 outubro de 2010, na cidade de Joanesburgo.
A conferência tratou da crise multidimensional onde as crises alimentar e energética se interseccionam com as crises global econômica e ecológica, e as tensões correlatas, em comunidades locais e globais. A preocupação central da conferência foi discutir a forma como a crise econômica e ecológica se cruzam e representam uma crise de civilização.
Globalmente estamos consumindo os bens da natureza – usando os “recursos” e produzindo emissões de carbono - 44 por cento mais rápido do que a natureza pode regenerar e absorver. Em outras palavras, a Terra leva cerca de 18 meses para produzir os bens ecológicos que a humanidade usa em um ano. O modelo da "civilização ocidental" é um beco sem saída. Para consumir na taxa da Europa Ocidental, seria necessário 3,4 planetas como a Terra. Infelizmente, só há uma Terra e uma mudança urgente é necessária se quisermos evitar uma catástrofe ambiental. A atual crise econômica e, consequentemente, social faz com que seja urgente repensar nossas práticas.
A conferência representou uma oportunidade para o reagrupamento do movimento pela Justiça Global após a sua ascensão e os protestos de Seattle e Génova. Outro aspecto relevante para as redes da África Austral (Sul), em especial as Sul Africanas de justiça social, ativistas e movimentos populares é o fato de que este país será o anfitrião da mais significativa das conferências sobre alterações climáticas, COP17, em Dezembro de 2011. Espera-se que nesta conferência se produza um acordo final sobre cortes de emissões de carbono. A Conferência “Crise da Civilização - Rumo a uma economia pós-carbono” desempenhou um papel significativo no desenvolvimento de estratégias para interferir nesse processo e mobilizar pessoas e organizações em torno da necessidade de reestruturação da economia global, na direção oposta de seu atual modelo produtivista e ecologicamente destrutivo.
Outro momento importante foi a discussão em torno da participação no Forum Social Mundial de 2011 - que será realizado na cidade de Dakar, no Senegal, avaliada como importante e positiva pelos presentes. A conferência, de forma geral, proporcionou um espaço articulação entre as pessoas e movimentos da África Austral e da América Latina que apresentaram panoramas das conjunturas de seus países, suas lutas e desafios.
A questão agrária e outras correlatas como segurança alimentar foram apontadas como possíveis temas agregadores, especilmente no contexto do Sul Africano. A dificuldade de mobilização também foi levantada e identificada como um desafio comum às duas regiões. Expressões da crise em interação com assuntos como violência contra a mulher, racismo, xenofobia; território, alimentação e bens comuns; Estado, política e ética também foram amplamente discutidos nos três dias de encontro.
A conferência reuniu economistas políticos, ambientalistas e acadêmicos progressistas, especialistas em suas áreas, e na economia política do seu próprio país, incluindo a Venezuela, Brasil, Uruguai, Congo e no Mali. Representantes de movimentos indígenas e camponeses da América Latina, levantaram vários pontos, entre eles a necessidade de políticas que respeitem a "mãe terra" e rompam com a lógica do lucro e da acumulação como fim. Seus colegas do Sul Africano argumentaram, entre outros assuntos, sobre a necessidade urgente de políticas capazes de garantir a soberania alimentar e econômica.
